sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Eu sofista

Quem não é sozinho?
o que quer a solidão senão mostrar ao sujeito a sua cara no espelho?
e disso, como se pode fugir ou evitar?
como se pode esconder de si a sua própria face?

Deveria, pois, o espírito sobreviver do antropofagismo?
deveria então sobreviver da dor?
deverá amar o vazio?

A completude da alma dependerá, portanto, do próprio espírito?
dependerá do outro?
do divino?

O vazio só é vazio se for completo de mágoa?
a mágoa só existe se existe a memória?
a memória só se faz do passado? - ou das incertezas e projeções do futuro?

Os porquês constroem as dores?
ou dores independem de dúvidas?
as verdades, que tanto nos constroem, são as certezas de felicidade?

E essa, existe?
a felicidade?
a vida por si, cheia de dúvidas é o motivo suficiente para ser feliz?
esse estado sublime da existência é possível?
o indivíduo acompanhado da sua tumultuada solidão é capaz de encontrar nas dores da memória a completude da alma?

E a paz de espírito?

Bento Buedia
escrito em 08/03/2011

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